O diálogo

A arte não fica na tela.

A arte circula pela cultura de formas que vão muito além dos espaços onde é encontrada pela primeira vez. As imagens tornam-se símbolos, os símbolos tornam-se familiares e as formas familiares adquirem significados que os seus criadores talvez nunca tenham previsto. A fronteira entre expressão artística e vida quotidiana raramente é tão fixa quanto parece.

O diálogo criativo entre a Muse Et Musée e Takashi Murakami é concebido em torno desta relação. A sua abordagem da arte contemporânea, com as suas intersecções entre belas-artes, imagens comerciais e cultura visual japonesa, oferece um ponto de partida para examinar como as imagens viajam e se transformam.

A intenção não é tomar de empréstimo uma linguagem visual reconhecível, mas considerar o que acontece quando duas abordagens distintas do design de coleção se encontram. O que pode uma imagem tornar-se ao deixar o seu contexto original? Como altera a familiaridade a nossa perceção de algo? E em que momento se torna um objeto quotidiano portador de significado cultural?

O projeto parte destas perguntas, deixando que a conversa entre arte e design se desenvolva sem exigir uma única resposta predeterminada.

A imagem

O reconhecimento é apenas o começo.

Uma imagem pode ser imediatamente familiar e, ainda assim, resistir à compreensão total. As suas cores, formas e símbolos podem convidar ao reconhecimento, enquanto a sua disposição introduz algo inesperado.

A direção visual considera a relação entre repetição e individualidade, usando composição, escala e contexto para examinar como o significado muda pela apresentação. Cada elemento é considerado não só pelo que representa, mas pelas associações que traz à obra.

A tradução

Uma ideia assume outra forma.

Passar de uma disciplina artística para outra exige mais do que colocar uma linguagem visual ao lado de outra. Exige perceber o que tem de permanecer, o que pode mudar e o que deve ser repensado por completo.

Para a Muse Et Musée, o valor da colaboração está neste processo de tradução. O objetivo é criar um ponto de encontro entre a arte contemporânea e o design de coleção sem reduzir nenhum dos dois a uma referência decorativa.

A obra resultante ocuparia um espaço entre o familiar e o inesperado, carregando vestígios do seu contexto cultural enquanto desenvolve uma identidade própria.

O resultado

Para além da própria imagem.

Um diálogo criativo bem-sucedido deixa mais do que um registo visível dos seus participantes. Cria uma nova forma de olhar para as coisas que já nos rodeiam.

Este projeto considera o objeto de coleção como um ponto de encontro entre intenção artística, reconhecimento cultural e interpretação pessoal. A sua importância não dependeria apenas dos nomes a ele associados, mas do carácter da obra que nasce da troca entre eles.

O objetivo não é diminuir a arte colocando-a num objeto, nem tornar um objeto importante pela associação à arte. É explorar o que se torna possível quando os dois são considerados em conjunto.

A imagem pode ser o ponto em que a conversa começa. Não tem de ser o ponto em que termina.